O poder das músicas da tua vida

07-08-2022

Quando a música altera o tom dos teus dias


Quer seja a música que te acompanha num momento de euforia ou a música que te desacelera o coração, elas dão ritmo à tua existência. De que modo te influenciam as músicas da tua vida?

Podia entrar em vias apertadas sobre o funcionamento da mente perante as diferentes frequências sonoras das músicas que ouvimos e o modo como estas influenciam o nosso sistema nervoso, mas não vou por aí.

Quero mergulhar no universo das letras das canções e perceber de que modo têm balanceado os nosso dias.
Lembro-me de andar no carro do meu pai e ouvir CDs de música country, os Beatles ou uma estação de rádio com canções essencialmente dos anos 70, 80 e 90. Desde cedo, aprendi os refrões de músicas como "Let it be" do referido quarteto fantástico, "San Francisco" de Scott McKenzie ou "Always on my mind", de Elvis. Na altura, não interpretava o que diziam mas com o tempo comecei a atentar nas letras e a apaixonar-me por elas. E, a quem estou a querer enganar?, a sofrer com elas! Em boa verdade, não eram as músicas que me faziam sofrer mas sim as emoções fortes que vivenciava e que se faziam acompanhar das músicas mais melancólicas e românticas que conseguia alcançar no universo musical que me era conhecido.


Quem nunca chorou ao som do "Unbreak my heart", de Toni Braxton, "Love lift us up where we belong" de Jennifer Warners com Joe Cocker ou mesmo "Papel principal", de Adelaide Ferreira?
Se tínhamos alguma paixoneta ou se passávamos por algum desgosto amoroso, encontrávamos nas músicas um companheirismo sem par. Alguém tinha passado pelo mesmo que nós e teve o génio de o partilhar de forma perfeita com o Mundo.


Nesses momentos, já não estávamos tão sozinhos.

O busílis da questão aqui não era tanto esse momento intenso que fazíamos acompanhar por um pot pourri de emoções jorrado em forma de arte, mas sim o que escolhiamos e escolhemos ouvir no nosso quotidiano, dia após dia.

Sinto que, às páginas tantas, escolhi ser constantemente acolhida por músicas de amor fracassado, de desassossego romântico e, até, relacionamentos tóxicos, tão bem disfarçado por melodias bonitas e emabladoras. A banda sonora da minha vida, para além de trazer consigo da infância as canções já referidas, passou a albergar músicas romantico-desesperadas dos ABBA com o seu "The winner takes it all" ou "SOS", Shania Twain com "Still The One", Janis Joplin com "Piece of my heart" ou então Juice Newton, Air Supply, Bryan Adams, Rui Veloso, Marisa Monte e por aí fora. Escusado será dizer que pautei os meus dias com melancolia e romance impossível e que isso se transpôs das letras para a vida real. Já para não falar dos livros e filmes lidos e vistos com o mesmo cunho romântico utópico, sempre a acenar para uma centelha de autocomiseração alimentada por todos eles e pelos dramalhões típicos de uma adolescência que se prolonga no tempo.


Será que as nossas vivências seriam diferentes se fossem as nossas músicas prediletas também elas diferentes?

Não tenho a resposta, mas desconfio que sim.

Resta-nos tomar consciência do trilho musical que nos tem acompanhado e mudar de ritmo tantas vezes quanto queiramos, porque não podemos evitar apaixonarmo-nos por uma música ou por alguém, mas podemos decidir ficar nessa frequência ou sintonizar noutra estação.

E tu, deixas que as músicas da tua vida definam o teu estado de espírito ou o contrário?


Isabel P. Lima 

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